Não é um blog. Não é uma coluna. E nem tem a pretensão de ganhar status de obra literária. É apenas uma fonte de distração e exercí­cio acadêmico de uma humilde estudante do 3° perí­odo de jornalismo... Podendo ser, qualquer um destes textos, crônica, conto, resenha, crí­tica... Enfim, qualquer coisa.

Sinta-se a vontade para ler, reler... E gostar. Rá-rá.

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a indústria da fossa

Depois da indústria de armamentos e das mídias de massa, tenho uma nova teoria de controle social (que me permitam os sociólogos). Uma indústria bastante lucrativa, que mexe com o íntimo das pessoas e que muitas vezes chega a custar vidas. A indústria da fossa.
Já parou pra pensar quantas vezes em um mês você chora? Quantas vezes na vida você se sentiu infeliz? Quantas vezes se sentiu rejeitado? Quantas vezes até pensou em dar cabo da própria sorte? Vivemos num tempo no qual a felicidade está à venda, no qual as pessoas precisam ser idênticas para sentir que fazem parte de alguma coisa. E é nisso que consiste a indústria da fossa, da tristeza crônica que acomete todos os setores da sociedade, sem tirar nem pôr.
O ideal é fazer com que as pessoas percebam a insignificância de suas vidas. Fazer com que sintamos que o ser humano nada vale, que a morte se aproxima e que não há uma solução. E para sanar esse descontentamento, a sociedade e o "sistema" tentam trazer felicidade e alegria (mesmo que esta seja momentânea, e muitas vezes, a um custo real elevado) a esses pobres corações desolados com uma simples palavrinha de sete letras: consumo.
O sistema (ohh, como eu odeio essa palavra - parece coisa de discurso de gente que quer parecer engajada ¬¬) nos faz infelizes. E assim, quer nos manter. Querem testes para seus laboratórios, e nós somos somos as cobaias perfeitas.
O sistema quer que nos achemos feios e para isso construíram a indústria da beleza. Eles querem que nos achemos burros e que, por isso, compremos os livros da massacrante indústria literária (que já teve melhores dias - por que será!?). Eles querem que sintamos algum tipo de emoção e para isso nos dão montanhas-russa, esportes radicais e drogas sintéticas. Eles criam padrões de moda e para isso, cá estão as grifes. Eles querem que tenhamos medo da violência, e para nos sentirmos seguros, fabricam armas para que salvemos nossas famílias.
O sistema quer que nos apaixonemos e que troquemos presentes no dia dos namorados. Querem que provemos o quanto amamos nossos pais ao dar-lhes presentes nos dias das hierarquias familiares. Querem que tenhamos sentimentos de humildade e fraternidade para que compremos árvores de Natal (E que as crianças acreditem no Papai Noel para que lhes compremos presentes). E quando mais nada disso basta e a tristeza já inveterou-se, eles chamam isso de doença e nos vendem anti-depressivos.
O sistema tem solução para tudo. Entretanto, também cria problemas para tudo. A intenção é essa e não menos bárbara: eles nos querem consumidores para seus produtos. Basta ter dinherio para comprar.
E se não tiver, nada mais lhe resta, caro amigo... Nada mais a não ser um bala, um revólver, a sua têmpora e um suspiro.
Adeus, mundo cruel.


// 17 agosto 2005 -