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a equação perfeita
Em tempos de anabolizantes, parafina, micaretas e playboyzinhos quinze-anistas no auge do narcisismo testosterônico, encontrar um rapaz-decente-para-casar é tarefa que nem Ethan Hunt poderia realizar com facilidade. Infelizmente, o discurso das solteiras desesperadas e as reclamações nas ruas comprovam: o lugar-comum das encalhadas, aquele que prega que "achar um homem com h maiúsculo está difícil", tornou-se verdade absoluta. E dilema insolúvel. Então, já que encontrar o homem perfeito é praticamente uma missão impossível, que tal sonharmos com ele? Imaginemos um homem bonito, por fora e por dentro. Um homem culto, de inteligência sem igual e sensibilidade quase feminina, um gentleman. Dono de um belo par de olhos azuis, de cabelos angelicalmente cacheados... Que ainda possua um olhar desconsertante de tão profundo, vocação para transformador social, interesse nas artes e na gastronomia, que conheça meio mundo e que apesar de todo seu refinamento de costumes e gostos, seja também um apreciador da boa cachaça e do partido-alto, valorizando sempre a cultura do país... Não seria per-fei-to? Pois faça a soma e temos a solução em um único e admirável nome: Francisco Buarque de Hollanda. O Sr. Chico, como provavelmente é chamado pelos garçons dos botecos de Ipanema, é a encarnação do homem ideal. Sim, porque alguém com tantas qualidades não pode ser encaixado em nenhuma outra definição: o jovem senhor de 61 anos (velhice, não! maturidade, gente) escreve, compõe, canta e toca como ninguém (artista), é um dos heróis da luta pela liberdade de expressão no país (intelectual-engajado), tem aqueles olhos liiiiiindos de morrer (bonito), morou na Itália na década de 1970 (cool) e ainda faz parte de uma das famílias mais nobres do país (o que no caso dele, traz o peso de um adjetivo: rico). Pergunte a alguma mulher, de qualquer idade ou posicionamento político, se Chico Buarque lhe é atraente e nem tente adivinhar a resposta, pois de certo será a unanimidade e obviedade costumeira. Ele é um fenômeno: uma aparição sua é melhor que a do Cometa Halley (seu jeito reservado também dá o tom na fama de elegante senhor)... Chico só pode ser obra divina, com tamanha perfeição... Ele também tem seus defeitinhos (o amor incurável pelas mulheres pode ser considerado um!?), mas... Dane-se! É o Chico Buarque, meninas! Se o tio Chico me pedisse em casamento, eu aceitaria na hora. Aliança no dedo dada pelo cara que escreveu A Ópera do Malandro deve ser algo como encontrar a Atlântida perdida no fundo do mar. Aliás, devido a isso, faço uma reivindicação aos institutos de pesquisas científicas: Clonem o Chico! Pelo menos teríamos um homem perfeito a cada geração... Uma média de dois Chicos por século, que tal!? Chico é o_cara. Ele não dá um caldo: dá um banquete pra família italiana em dia de domingo. Ahh, se eu tivesse nascido há, no mínimo, 55 anos atrás...
Em tempo: A autora deste texto encontra-se momentaneamente hipnotizada pelos olhos de ardósia (?!) de Chico Buarque de Hollanda.
// 26 julho 2005 -
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