
Não é um blog. Não é uma coluna. E nem tem a pretensão de ganhar status de obra literária. É apenas uma fonte de distração e exercício acadêmico de uma humilde estudante do 3° período de jornalismo... Podendo ser, qualquer um destes textos, crônica, conto, resenha, crítica... Enfim, qualquer coisa. Sinta-se a vontade para ler, reler... E gostar. Rá-rá. |
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eu queria ter tido 18 anos em maio de 1968
Desde que assisti ao filme Os Sonhadores e li o livro O que é ser Jornalista, do Ricardo Noblat, (tudo isso coincidindo com o meu ingresso na universidade) me vi envolvida pelo fascínio libertário da Revolução de 1968 . Toda aquela aura inovadora, de lutar sem ter exatamente pelo quê mas pela simples vontade de promover alguma transformação, me encanta de forma absoluta e arrebatadora... A Revolução Estudantil nas ruas de Paris em 1968 vive no imaginário utópico de todos aqueles que tem vontade de transformar o mundo (e nisso, devo incluir essa pessoa que vos escreve). Essa Revolução de concretismo ideário vazio, entretanto carregado de sonhos e de desejo de mudar todos os conceitos arcaicos de outrora, é um ponto da história de incontestável importância. Os estudantes levantaram as bandeiras de que o mundo estava mudando e, de fato, foram responsáveis pela mudança real. Mas... Quando, nos dias atuais, poderíamos sonhar com uma revolução de estudantes filhinhos-de-papai? Impossível. O discurso de que o jovem do ano 2000 é vazio e fútil infelizmente é amostra dura da realidade que vemos todos os dias. Se os jovens de 37 anos atrás brigavam por igualdade social e liberdade, os de hoje provavelmente lutariam pelo direito de praticar sexo na cama dos pais ou pela liberação de anabolizantes... A falta de contéudo é visível e apesar de não ser regra, se encaixa com a grande maioria moribunda e alienada... Movimento estudantil... O que é isso mesmo!? Os estudantes só lembram que fazem parte de uma organização (UNE, para quem não estiver lembrando nem assim) quando precisam renovar suas carteirinhas para pagar meia-entrada no cinema. A união não existe (de fato, a UNE, hoje, se limita a encargos burocráticos e nada mais), só se for para consumir alguma coisa. Aliás, deveria existir pra quê, já que ninguém se interessa por coisa alguma que não seja o próprio umbigo? Se tivéssemos a coragem dos estudantes parisienses de 1968, é provável que o país já tivesse parado diante dos nossos absurdos cotidianos, como o picadeiro político das bestas-feras, o crescimento da miséria e da violência urbana. E por que somos incapazes de viver algo assim? Por que fechamos os olhos diante dos erros nacionais e só nos contentamos em reclamar com o vizinho ou o amigo, sem buscar uma união que pudesse trazer algo novo??? Inúmeras poderiam ser as respostas: Falta de interesse, indivualismo, conformismo... Mas de nada adianta buscá-las se sequer somos capazes de fazer estes questionamentos a nós mesmos. Eu queria ter tido 18 anos em 1968. Ou melhor, eu queria ter tido 18 anos na Paris arcaica de 1968. Queria ter tacado paralelepípedos das ruas do Quartier Latin nos policiais bem armados. Queria ter clamado pela revolução. Queria poder ter feito alguma coisa por esse planeta perdido. Talvez eu ainda possa fazer. E tentarei. Só que ao invés de paralelepípedos, usarei a minha consciência e uma caneta. E fazer o que tantos tentaram, mesmo que muitas vezes inutilmente. Um papel na mão: viva a revolução! Qui font les révolutions à moitié ne font que se creuser un tombeau (Os que fazem revoluções pela metade nada mais fazem que cavar seu túmulo) // 15 julho 2005 -
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