Não é um blog. Não é uma coluna. E nem tem a pretensão de ganhar status de obra literária. É apenas uma fonte de distração e exercí­cio acadêmico de uma humilde estudante do 3° perí­odo de jornalismo... Podendo ser, qualquer um destes textos, crônica, conto, resenha, crí­tica... Enfim, qualquer coisa.

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medo? medo de quê!?

Nunca fui dada à política. Quando me perguntavam o que eu achava de política, dava a resposta tipicamente adolescente-2000: "ahh, não ligo, acho um saco". E vez ou outra ainda me pego prestes a dar essa resposta quando questionada sobre o assunto. Ainda desligo a tevê quando começa o horário eleitoral gratuito. Ainda pulo algumas páginas do jornal na editoria de política. Mas isso não me fez tirar os olhos das barbáries que a gente tem visto acontecer nas últimas semanas. Menos ainda de tirar os olhos do ilustríssimo sr. ex-torneiro mecânico que chegou à presidência e que só tem deixado a moral política brasileira escoar pelo ralo a olhos vistos.
Eu ainda não votava quando o Lula foi eleito presidente. Na verdade, ainda não consegui tirar meu título de eleitor (me dê um desconto, faz pouco mais de um mês que cheguei aos meus 18 anos). Mas me lembro que, apesar da esperança da maioria, eu e a Regina Duarte tínhamos medo (pensamento típico burguês que poderia ser perdoado com os meus ingênuos e manipuláveis quinze anos de idade, ao contrário do que se poderia dizer dos cinqüenta e todos da Regina)... Enfim: lembro-me de ter medo, de achar que Lula seria capaz de provocar mudanças tão profundas a ponto de nos levar ao mais completo colapso. Eu acreditava tanto no Lula e em sua força política que chegava a teme-lo.
Dois anos e nove meses se passaram. Sabe aquele Lula, carismático, de discursos repletos de palavras como "igualdade social" e "justiça", com seus olhos de promessas que nos fizeram crer em sua força e sua vontade de mudanças?! Morreu. Morreu no dia primeiro de janeiro de 2003, quando tomou posse do país. Seus 10 milhões de empregos? Fome Zero? Diminuição de impostos? Todos mortos. Suas promessas foram barbaramente assassinadas, assim como a língua portuguesa o é durante seus discursos improvisados e torpes.
Você tem medo do Lula? Eu não tenho mais. Todavia, ele ainda me assusta. Me aterroriza ver a sua tamanha inércia diante de tudo o que tem acontecido na câmara e nos escritórios de algumas agências de publicidade. Me impressiona a sua capacidade para abaixar a cabeça para tudo o que vem ocorrendo. Me estarrece a idéia dele ter estado a par de tudo e não ter mexido um músculo para frear esses absurdos. Me amedronta pensar como alguém pode ter se rendido tão facilmente ao poder e abandonado suas convicções, que pareciam tão firmes e imóveis até as eleições de 2002, em nome da tal go-ver-na-bi-li-da-de, uma palavra complicada e que parece cada vez mais sem sentido. Governabili... o quê mesmo!? Ou melhor, de quem!?
Lula errou. Errou do primeiro segundo de sua posse (quem não lembra dele derrubando os óculos de FHC na tansição da faixa!?) e está errando, espero eu que apenas até o segundo passado. Lula erra por não governar. Pra quê? Como todo e qualquer político, tem assessores para isso. Deixa-se criar uma gaiola de luxo, aos cuidados dos melhores criadores (Dirceus, Rebellos, Gushikens) ou em aviões presidenciais que estão sempre a levá-lo para bem longe da realidade brasileira.
O governo pode ser aparentemente de esquerda. Mas as ações são de extrema-direita. Um partido que antes pregava o combate à corrupção hoje se vende a ela. Como isso é possível!? Só Deus sabe. Cadê a ideologia petista? Foi passear. Cadê o presidente!? Viajou. Igualdade social? Só para os seus. Liberdade de imprensa? Tome uma agência de controle da imprensa.
Ditadura???????????????????????????????????
Projeto futuro.

Não tenho mais medo do Lula. Tenho vergonha.
pt saudações.


// 10 julho 2005 -

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